Arquivos para 'Pensamentos'Categoria

Viajar é o paraíso dos tolos.

julho 18, 2008

Devemos às nossas primeiras jornadas a descoberta de que o lugar não significa nada. Em casa, imagino sonhadoramente que em Nápoles ou em Roma poderei intoxicar-me de beleza e livrar-me da tristeza. Faço as malas, abraço os amigos, tomo um vapor e, finalmente, acordo em Nápoles e lá, diante de mim, está o facto insubornável, o triste eu, implacável, idêntico, de que fugi. Visito o Vaticano e os palácios. Finjo estar intoxicado com as visitas e as sugestões, mas não é verdade. O meu gigante acompanha-me por onde vou.

~ Ensaios, Ralph Waldo Emerson

Somos Todos Doentes

fevereiro 7, 2008

A filosofia ocidental busca negar ou rejeitar a doença. Segundo ela, a condição humana ideal é livre de doenças.

Essa é a base da medicina e do tratamento médico modernos.

Uma vez que o tratamento médico moderno prevalece há tanto tempo, a reação automática à descoberta da doença é buscar eliminá-la. A medicina moderna não consegue conceber uma abordagem que tente encontrar um meio de se viver com a própria doença, acolhendo-a, aceitando-a. A aurora da medicina ocidental moderna antecede de uns poucos anos a Revolução Francesa, com a fundação do Hospital, em Paris. Joveis médicos dedicados reuniam-se lá para praticar sua concepção ideal de medicina, baseada no espírito de liberdade, igualdade e fraternidade. Eles diagnosticavam e tratavam as pessoas comuns. Até aquela época, o tratamento médico fora, em grande parte, trabalho de médicos particulares que atendiam exclusivamente a clientes abastados, e esses jovens médicos lutaram para romper com essa tradição.

O lema dos médicos do Hospital era: “Olhe para a doença, não para o paciente”.

Com “olhar para a doença” eles se referiam a usar informações estatísticas de saúde pública para cientificamente analisar e classificar os sintomas. “Não olhar parar o paciente”queria dizer não dar atenção ao status ou classe social da pessoa, mas tratar de sua doença como se trataria de qualquer outro paciente na mesma condição.

Esses jovens médicos ardiam com a paixão de eliminar inteiramente a doença.

Mas, depois de dois séculos, a abordagem deles evoluiu para um modo de pensar representado pela velha piada: “A cirurcia foi um sucesso, mas o paciente morreu.” A medicina moderna concentra-se unicamente na doença e ignora a formação e a qualidade de vida do paciente. Ela vê uma pessoa como uma coisa que deve ser fuçada e cutucada até ser reduzida a um dado digital. Depende excessivamente dos medicamentos. Não tem qualquer consideração pela dignidade humana ou pelas emoções dos indivíduos.

(…)

Agora é o momento de repensarmos fundamentalmente nossas idéias sobre a saúde e doença.

Somos todos doentes. Todos os seres humanos estão doentes, e a saúde é uma ilusão. Todos os dias nossos dentes ficam mais fracos, nossa pele envelece e morrem mais de cem mil células cerebrais, que nunca serão substituídas. Todas as células de nosso corpo estão constantemente se desintegrando, morrendo e sendo substituídas por outras.

É impossível que um modelo de tratamento de saúde dogmático, estático e monolítico atenda às necessidades de um ser vivo dinâmico, em constante mutação.

Cada um de nós é completamente diferente.

Por esse motivo, a medicina deve nos tratar como os indivíduos que somos, levando em consideração aspectos como nossas crenças filosóficas, nossos constextos familiares e nossos problemas pessoais, e decidir, com base nessa totalidade, quando receitar um medicamento ou recomendar uma cirurgia. Nossos médicos não podem decidir nada por nós, mas podem nos ajudar a ver quais são as nossas opções e nos ajudar a decidir o que é melhor para nossas vidas.

O que é necessário agora é o conceito budista de viver com a doença.

~Hiroyuki Itsuki, Tariki – Aceitando o Desespero e Descobrindo a Paz.

Sem Expectativas

janeiro 29, 2008

Isso não significa que não devamos planejar as coisas para o futuro. Significa, sim, que não faríamos bem em apegar-nos a determinados resultados. Faríamos melhor se nos esforçássemos em estar presentes, em vez de insistir no que o futuro deve ser. ~Steve Hagen

O Tempo

janeiro 23, 2008

 

O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede.

Conheço um que já devorou três gerações da minha família.
(Machado de Assis)

Brevíssima história da medicina

dezembro 23, 2007

500 D.C. – Venha até aqui, e coma esta raiz.

1.000 D.C. – Esta raiz é coisa de ateu, faça esta oração ao Deus que está no céu.

1.792 D.C. – O Deus não está no céu, quem reina é a razão. Venha até aqui, e beba esta poção.

1.917 D.C – Esta poção é para enganar o oprimido, sugiro que você tome este comprimido.

1.960 D.C. – Este comprimido é antigo e exótico. Chegou o momento de tomar antibiótico.

1.998 D.C. – Antibiótico te deixa fraco e infeliz. Eis um novo tratamento: coma esta raiz.

(fonte: Blog do Paulo Coelho, citado por Giorgia aqui)

Shunyata

dezembro 17, 2007

A sombra das árvores

Sacudidas pelo vento,

Varre o chão sem levantar poeira.

Os pássaros cruzam o espaço

E não o maculam.

Manchas de sol coadas através

Das folhas

Não marcam as flores.

Murillo Nunes de Azevedo

Autoencontro

dezembro 11, 2007

Quando meus olhos comuns
Encontram riachos, flores, nuvens e montanhas.
Vejo apenas riachos, flores, nuvens e montanhas
E sinto, por um momento,
Distrair as minhas preocupações…

Mas, quando meus olhos de sabedoria
Encontram riachos, flores, nuvens e montanhas
Vejo que sou, eu mesmo,
Riacho, flor, nuvem e montanha…
E a Suprema Felicidade
É minha única Natureza.

Ênio Burgus

Doença e Cura

dezembro 3, 2007

A mesma dor que consome,
Abre fendas, muda de nome;
Vai de morte
A norte.
Saindo da rotina,
Vira vacina.
Fica fora e dentro
Levando ao centro,
Duras
Ferraduras
Talismãs de saúde
Que ora amiúde,
Com zelo e arte
Torna-se parte
Dos aliados
Iluminados
Na nova empreitada
Rumo à enseada.

Elisabeth Alvez de Sousa

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